SANGUE QUENTE – ISAAC MARION

Editora: LeYa
Páginas: 252
Classificação: 4/5

R é um jovem vivendo uma crise existencial – ele é um zumbi. Perambula por uma América destruída pela guerra, colapso social e a fome voraz de seus companheiros mortos-vivos, mas ele busca mais do que sangue e cérebros. Ele consegue pronunciar apenas algumas sílabas, mas ele é profundo, cheio de pensamentos e saudade. Não tem recordações, nem identidade, nem pulso, mas ele tem sonhos. Após vivenciar as memórias de um adolescente enquanto devorava seu cérebro, R faz uma escolha inesperada, que começa com uma relação tensa, desajeitada e estranhamente doce com a namorada de sua vítima. Julie é uma explosão de cores na paisagem triste e cinzenta que envolve a “vida” de R e sua decisão de protegê-la irá transformar não só ele, mas também seus companheiros mortos-vivos, e talvez o mundo inteiro. Assustador, engraçado e surpreendentemente comovente, Sangue Quente fala sobre estar vivo, estando morto, e a tênue linha que os separa.

Sangue Quente foi uma boa surpresa pra mim. Eu não estava esperando muito e só me interessei em ler mesmo depois que vi o trailer do filme. Entretanto, em poucos capítulos me vi totalmente envolvida com a estória de R e sua vontade de voltar a ter uma vida normal.

O livro começa com o R contando um pouco sobre ele e um pouco do lugar onde ele e outros zumbis vivem, em um aeroporto. De primeira você já vê que o R é curioso e tem muitos pensamentos e questionamentos, fazendo com que ele seja diferente da maioria dos zumbis. Lá eles se “divertem” subindo e descendo escadas rolantes quando a eletricidade volta por um momento.

O que eu achei, não tem como não usar essa palavra, nojento, foi ele mostrando como eles se alimentam. Foi detalhada a forma como o autor descreveu as cenas dos zumbis comendo os humanos e ficava difícil comerenquanto eu estava lendo essas partes! hahaha!

Como sempre vou logo para a parte boa, a parte que faz minha cabeça se acender como um tudo de imagem. Como o cérebro e, durante uns trinta segundos, passo a ter memórias. Flashes de desfiles, perfume, música… vida. E então aquilo vai desaparecendo, me levanto e saímos da vidade, ainda estamos frios e cinza, mas nos sentimos melhor. Não exatamente “bem, nem “felizes, e com certeza não “vivos”, mas… um pouco menos mortos. Isso é o melhor que podemos fazer.

Quando os zumbis iam comer os cérebros, eles tinham esses flashes das memórias desses humanos e foi em uma dessas comilanças de cérebro que R passou a conhecer as memórias de um garoto e acabou criando um sentimento de proteção com Julie, a namorada deste. Mal ele sabia que isso desencadearia uma mudança não só nele, mas, também, em outras pessoas.

O relacionamento de R e Julie é estranho no começo, mas, à medida que ela vai perdendo o medo e confiando mais no seu amigo morto-vivo, ela vê que nem todos os zumbis são sanguinários que não possuem sentimento algum, fazendo com que ela queira mostrar um pouco mais do seu mundo a ele.

O que sobrou de nós? (…) Nenhum país, nenhuma cultura, nenhuma guerra, mas também não temos paz. O que sobra dentro de nós, então?

Eu curti muito a leitura. Achei muito legal como o autor descreveu os zumbis, sua rotina e “seu mundo”, apesar de ter algumas coisas nojentas. Gostei, também, da personalidade da Julie, por ela ser uma pessoa compreensiva e corajosa. Recomendo para todos os leitores que querem ler algo diferente e divertido. 🙂

O filme estreia hoje nos cinemas como Meu Namorado é um Zumbi (Alô, produção? Quem foi que mudou pra esse nome, pelo o amor de Deus?!).

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